segunda-feira, 3 de setembro de 2012
''SÓ DE SACANAGEM''
Em tempos de campanha política para eleições municipais e também tempo de acirradas críticas por parte da sociedade e, mesmo pelos próprios protagonistas da classe políticas.... mas, ao cabo a escolha precisa ser feita através do voto ( consciente,de protesto, nulo ou mesmo em troca de favorecimentos pessoais e tantas outras ) Retomam-se as críticas à toda classe política desse país, além daquelas feitas aos políticos das cidades que moramos...A mídia tem um papel importante tanto para fazer refletir quanto para perpetuar situações como mensalão, CPI de Carlinhos Cachoeira e até mesmo, fatos e apurações, e não apurações sobre corrupção, subornos, locupretações, nem tão longe de nós... e mais, se nós olharmos no espelho todos os dias podemos nos perguntar, quantas vezes deixamos de ser éticos quando a situação nos convinha, em situações cotidianas da nossa vida como ''ditos'' cidadãos? Quantas vezes usamos o ´´tradicional jeitinho brasileiro'' para alcançar o que desejamos atalhando o caminho?
Para pensar sobre isso, não seria eu capaz de escrever palavras tão significativas e explicativas sobre a realidade política, social, ética e moral quanto o poema de Elisa Lucinda, ''Só de sacanagem´´, que escolhi transcrever abaixo.
´´Meu coração está aos pulos!
Quantas vezes minha esperança será posta à prova?
Por quantas provas terá ela que passar?
Tudo isso que está aí no ar: malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro, do meu dinheiro, do nosso dinheiro que reservamos duramente pra educar os meninos mais pobres que nós, pra cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais.
Esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais.
Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta à prova?
Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais?
É certo que tempos difíceis existem pra aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz.
Meu coração tá no escuro.
A luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e os justos que os precederam:
" - Não roubarás!"
" - Devolva o lápis do coleguinha!"
" - Esse apontador não é seu, minha filha!"
Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar. Até habeas-corpus preventivo, coisa da qual nunca tinha visto falar, e sobre o qual minha pobre lógica ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará.
Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear: mais honesta ainda eu vou ficar. Só de sacanagem!
Dirão:
" - Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo o mundo rouba."
E eu vou dizer:
"- Não importa! Será esse o meu carnaval. Vou confiar mais e outra vez. Eu, meu irmão, meu irmão, meu filho e meus amigos. Vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês. Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o escambau."
Dirão:
" - É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde o primeiro homem que veio de Portugal".
E eu direi:
" - Não admito! Minha esperança é imortal!"
E eu repito, ouviram?
IMORTAL!!!
Sei que não dá pra mudar o começo, mas, se a gente quiser, vai dar pra mudar o final´´
SEM MAIS.... (certamente, sem mais a dizer!)
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