segunda-feira, 3 de setembro de 2012
''SÓ DE SACANAGEM''
Em tempos de campanha política para eleições municipais e também tempo de acirradas críticas por parte da sociedade e, mesmo pelos próprios protagonistas da classe políticas.... mas, ao cabo a escolha precisa ser feita através do voto ( consciente,de protesto, nulo ou mesmo em troca de favorecimentos pessoais e tantas outras ) Retomam-se as críticas à toda classe política desse país, além daquelas feitas aos políticos das cidades que moramos...A mídia tem um papel importante tanto para fazer refletir quanto para perpetuar situações como mensalão, CPI de Carlinhos Cachoeira e até mesmo, fatos e apurações, e não apurações sobre corrupção, subornos, locupretações, nem tão longe de nós... e mais, se nós olharmos no espelho todos os dias podemos nos perguntar, quantas vezes deixamos de ser éticos quando a situação nos convinha, em situações cotidianas da nossa vida como ''ditos'' cidadãos? Quantas vezes usamos o ´´tradicional jeitinho brasileiro'' para alcançar o que desejamos atalhando o caminho?
Para pensar sobre isso, não seria eu capaz de escrever palavras tão significativas e explicativas sobre a realidade política, social, ética e moral quanto o poema de Elisa Lucinda, ''Só de sacanagem´´, que escolhi transcrever abaixo.
´´Meu coração está aos pulos!
Quantas vezes minha esperança será posta à prova?
Por quantas provas terá ela que passar?
Tudo isso que está aí no ar: malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro, do meu dinheiro, do nosso dinheiro que reservamos duramente pra educar os meninos mais pobres que nós, pra cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais.
Esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais.
Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta à prova?
Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais?
É certo que tempos difíceis existem pra aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz.
Meu coração tá no escuro.
A luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e os justos que os precederam:
" - Não roubarás!"
" - Devolva o lápis do coleguinha!"
" - Esse apontador não é seu, minha filha!"
Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar. Até habeas-corpus preventivo, coisa da qual nunca tinha visto falar, e sobre o qual minha pobre lógica ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará.
Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear: mais honesta ainda eu vou ficar. Só de sacanagem!
Dirão:
" - Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo o mundo rouba."
E eu vou dizer:
"- Não importa! Será esse o meu carnaval. Vou confiar mais e outra vez. Eu, meu irmão, meu irmão, meu filho e meus amigos. Vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês. Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o escambau."
Dirão:
" - É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde o primeiro homem que veio de Portugal".
E eu direi:
" - Não admito! Minha esperança é imortal!"
E eu repito, ouviram?
IMORTAL!!!
Sei que não dá pra mudar o começo, mas, se a gente quiser, vai dar pra mudar o final´´
SEM MAIS.... (certamente, sem mais a dizer!)
domingo, 29 de julho de 2012
A IMPORTÂNCIA DOS MUSEUS EM REDES
A IMPORTÂNCIA DOS MUSEUS EM REDES
Nanci da Cruz Mafalda[1]
Com vistas a gerar valor, melhorar a qualidade dos serviços à comunidade, abarcar os custos, surgem alternativas de compartilhamento e redes de ações com o objetivo de garantir o cumprimento da missão do museu e ampliar o interesse do público, considerando o valor intrínseco da cultura para além do seu valor econômico.
Assim, a partir da década de 1980, com o aumento do reconhecimento da participação dos museus no desenvolvimento social e nas políticas culturais das sociedades, os governos das nações europeias como Alemanha, Holanda, Inglaterra, Irlanda, França, Espanha e Portugal foram os primeiros a implantar o sistema de redes[2] de credenciamento e uma legislação específica para a área museológica. Gerou a explosão do universo de museus e a discussão do tema tecnologia, melhor dizendo, sobre a interface da tecnologia com as pessoas (CASTELLS, 2000).
Essas ações e políticas culturais foram baseadas em alguns eixos fundamentais do ponto de vista conceitual os quais consideram a cultura como
Um vetor de desenvolvimento econômico e social, pois gera emprego e renda; uma ponte de entendimento do presente e não mais a representação passiva do passado; um instrumento da prática da cidadania, pois valoriza o indivíduo. [...]. As redes européias funcionam verticalmente, horizontalmente ou ainda por sistemas mistos e ao criado a partir de códigos internacionais de museus como o código de deontologia do ICOM e documentos formalizados em congressos de museus como é o caso da Carta Cultural Iberoamericana de Museus. O objetivo é fomentar possibilidades e recursos para cada parte integrada na rede, incentivando o potencial de criatividade e possibilidade, bem como preencher lacunas com relação às necessidades de cada museu, criando linguagem e espaço cultural comum. Além das redes de âmbito nacional, estadual e regional, existem também as redes internacionais como, por exemplo, a NEMO (Network Of European Museum Organization) e o próprio ICOM (Conselho Internacional de museus) que podem ser considerados como uma estrutura de trabalho em rede (CARVALHO, 2008, p. 53).
No Brasil, por sua vez, a estrutura em redes dos museus data da década de 1980, com alguns casos que não tiveram continuidade; mais recentemente, no final da década, já aos moldes do que propôs a nova Política Nacional dos Museus (PNM), em 2003.
A Política Nacional dos Museus, através de seus principais eixos como a gestão e configuração do campo museológico, a democratização e acesso aos bens culturais, a formação e capacitação de recursos humanos, a informatização de museus, a modernização de infra-estruturas museológicas, o financiamento e fomento para museus e a aquisição e gerenciamento de acervos culturais, alavancou o desenvolvimento à criatividade, à produção de saberes e fazeres e ao avanço técnico-cientifíco do campo museológico. A partir desta preocupação, a ‘’comunidade’’ museal tenta mobilizar-se em direção procurar ou criar, como no caso do SISMU, ferramentas que possibilitem uma maior inserção do patrimônio cultural musealizado na vida social contemporânea por meio de ações de caráter educativo-cultural, da criação de formação de educação museal e patrimonial.
O modelo de gestão da PNM está alicerçada da seguinte forma:
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Fonte: Rafael Zamorano Bezerra – Ibram/MHN - Oficina de elaboração de
projetos e fomento para a área museológica. 12º Fórum Estadual de Museus. 26,27 e 28 de abril de 2010. Santa Maria – RS.
projetos e fomento para a área museológica. 12º Fórum Estadual de Museus. 26,27 e 28 de abril de 2010. Santa Maria – RS.
A plataforma SISMU constitui-se em um instrumento capaz de efetivamente colocar os museus em rede democratizando tanto para sues pares quanto para a sociedade o do acesso aos bens culturais e diz respeito à formação de rede de colaboradores nacionais e porque não internacionais
O sistema e redes de museus constituem-se, portanto, num novo modelo de gestão administrativa que procura reforçar o diálogo entre os governos e as instituições museológicas, e destas entre si, traçando um panorama de compartilhamento, ou seja:
São modelos de caráter público, que visam, sobretudo, a multiplicar ações de reciprocidade e, por isso, a constituição de um planejamento sistêmico de museus vai depender das decisões políticas. As políticas culturais para a preservação do patrimônio museológico estabelecem as normas e os códigos de museus, recomendando a criação de redes de museus, redes estas que, por sua vez, potencializam e consolidam as políticas culturais. As redes são instrumentos de cooperação e desenvolvimento que podem diminuir desigualdades e diferenças, podendo inclusive reconstruir a imagem do museu junto à sociedade (BRUNO, 2005).
Dentro desse contexto e tendo como ferramenta o novo Estatuto dos Museus é que as instituições enquadradas nos Sistemas de redes podem delinear suas políticas de ações.
BIBLIOGRAFIA:
BEZERRA, Rafael Zamorano. Minicurso de elaboração de
projetos e fomento para a área museológica. 12º Fórum Estadual de Museus. 5, 6 e 7 de maio de 2010. Santa Maria / Rio Grande do Sul. Power Point
projetos e fomento para a área museológica. 12º Fórum Estadual de Museus. 5, 6 e 7 de maio de 2010. Santa Maria / Rio Grande do Sul. Power Point
BRUNO, Maria Cristina O. A importância dos processos museológicos para a preservação do patrimônio. Revista do Museu de Arqueologia e Etnologia, supl., São Paulo, n.3, p.333-337, 1999.
CARVALHO, Ana Cristina Barreto. Gestão do patrimônio Museológico: as redes de museus. Tese de doutorado apresentada ao Programa de Artes Visuais da Escola de Comunicação e Artes da USP. 2008.
CASTELLS, Manuel. A Sociedade em rede. São Paulo : Paz e Terra, 2000.
IPHAN. Política nacional de museus: relatório de gestão 2003/2004.
[1] Coordenadora do Museu Olívio Otto – Carazinho/RS – Pedagoga e Mestre em Educação com ênfase nos Estudos Culturais.
[2] O modelo cultural de organização social em redes foi proposto pelo sociólogo espanhol Manuel Castells na década de 1980, baseado em seus estudos sobre a cultura frente à tecnologia, melhor dizendo, sobre a interface da tecnologia com as pessoas (CASTELLS, 2000).
sexta-feira, 27 de julho de 2012
NADA MAIS PÓS-MODERNO QUE O ''MALUCO BELEZA''
SÉCULO XXI
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Há
muitos anos você anda em círculos
Já não lembra de onde foi que partiu
Tantos desejos soprados pelo vento
Se espatifaram quando o vento sumiu
Você vendeu sua alma ao acaso
Que por descaso tava ali de bobeira
E em troca recebeu os pedaços
Cacos de vida de uma vida inteira
Se você correu, correu, correu tanto
E não chegou a lugar nenhum
Baby oh Baby bem vinda ao Século XXI
Você cruzou todas as fronteiras
Não soube mais de que lado ficou
E ainda tenta e ainda procura
Por um tempo que faz tempo passou
Agora é noite na sua existência
Cuja essência perdeu o lugar
Talvez esteja aí pelos cantos
Mas está escuro pra poder encontrar
Se você correu, correu, correu tanto
E não chegou a lugar nenhum
Baby oh Baby bem vinda ao Século XXI
Já não lembra de onde foi que partiu
Tantos desejos soprados pelo vento
Se espatifaram quando o vento sumiu
Você vendeu sua alma ao acaso
Que por descaso tava ali de bobeira
E em troca recebeu os pedaços
Cacos de vida de uma vida inteira
Se você correu, correu, correu tanto
E não chegou a lugar nenhum
Baby oh Baby bem vinda ao Século XXI
Você cruzou todas as fronteiras
Não soube mais de que lado ficou
E ainda tenta e ainda procura
Por um tempo que faz tempo passou
Agora é noite na sua existência
Cuja essência perdeu o lugar
Talvez esteja aí pelos cantos
Mas está escuro pra poder encontrar
Se você correu, correu, correu tanto
E não chegou a lugar nenhum
Baby oh Baby bem vinda ao Século XXI
quinta-feira, 14 de junho de 2012
AMOR LÍQUIDO E LAÇOS HUMANOS
Dia
dos namorados, a culminância de inúmeros dias em que a cidade esteve quase
‘’vestida’’ pelo vermelho dos corações e
rosas adornando vitrinas que
exibem os mais diversos produtos para os mais diversos gostos e adequados aos mais
diversos ‘’tipos de namoradas e namorados’’ . Dia de buquês de flores
desfilando em braços de gente com olhar de que estou amando ou sou amado, ou de
entregadores que colhem a emoção do momento da entrega de flores ou de um
presente. Dia também, de pacotinhos coloridos nas mãos e de
passos apressados para um compromisso, restaurantes na penumbra de luz de velas...E
dando uma volta a noite pela cidade, tem-se a impressão de que não existe gente só, nem solidão, e me pergunto por onde
anda o restante de toda gente quem sempre se vê, não necessariamente aos pares de mãos dadas? Sendo felizes vendo um filme, uma
novela, cozinhando? Ou escondendo a solidão
(diante dessa possibilidade parece que se alguém sair sozinho numa noite dessas é um
alienígena perdido)?
E
de tudo que vejo, imagino e tento, quase que invariavelmente em vão, buscar nos
gestos, olhares dos ‘’namorados’’ e dos que a primeira vista não os tem, algumas respostas que acabam virando somente mais
perguntas, sobre algo talvez menos
alegórico, e talvez menos enfeitado de laços, fitas, cores, flores e corações: laços humanos no mundo de
hoje.
E
isso me faz lembrar um sociólogo chamado Zygmund Baumann que tem entre várias
obras, escreveu ‘’amor líquido’’, onde usa a metáfora da água, que é
contornável, flexível, absorvível, adaptável ao tamanho de qualquer recipiente,
contorna leitos dos rios, desvia rochas, ou as encobre conforme o caso, para
pensar nos relacionamentos, não só as relações amorosas, mas também as
familiares e de amizade. Ele nos provoca a pensar como isso se dá num tempo em
que estas relações se tornam cada vez mais flexíveis, que geram inseguranças
muito maiores, uma vez que estamos dando
prioridades a relacionamentos que ele chama de ‘’redes’’ os quais podem ser
tecidos ou desmanchados com facilidade – não sabemos mais manter
relacionamentos a longo prazo: vivemos a misteriosa fragilidade dos vínculos
humanos. O sentimento de insegurança que ela inspira e os desejos conflitantes
de apertar laços e ao mesmo tempo
mantê-los frouxos...porque seguramente não suportamos viver sozinhos, ao
tempo em que a vida pode nos oferecer algo melhor do que já temos...
Interessante
pensar quando Baumann, nos diz que existem “relacionamentos de bolso” ( posso
dispor quando necessário e guardar depois), relacionamentos tipo vitamina C (
em altas doses podem fazer mal a saúde), os relacionamentos CSSs – casais
semi-separados ( os que romperam a bolha sufocante do dos casais), relações como automóveis ( devem passar
por revisões regulares para termos
certezas que vão continuar funcionando)
ou os ‘’relacionamentos de ficantes’’ (descartáveis e não exigem investimento
pessoal e emocional) ou ainda ‘’relacionamento ficante-fixo’’ assemelha-se ao
relaxamento de bolso...
Creio que temos pensado o amor e os laços humanos, por
incrível que possa parecer, matematicamente, ou seja, custo/benefício, não de
mãos dadas, mas sim o que cada um pode investir, ganhar ou perder para si.
Daí pergunto-me para qual tipo de relacionamento vão o
investimento emocional os buquês,
pacotinhos coloridos, corações, jantares a luz de velas, declarações de
amor? Mas deixo uma frase de Baumann
quando fala no amor e no desejo: ‘’ Se o desejo quer consumir, o amor quer
possuir. Enquanto a realização do desejo coincide com a aniquilação de seu
objeto, o amor cresce com a aniquilação deste e se realiza na
durabilidade. Se o desejo se
autodestrói, o amor se autoperpetua’’.
Talvez Baumann
nos deixe menos ansiosos, menos confusos
ou com menos medo de arriscar a
estreitar laços.
PUBLICADO NO GAD NOTICÍAS em 14/06/2012
quinta-feira, 31 de maio de 2012
MANUAIS DE SOBREVIVÊNCIA PARA OS DIAS DE HOJE
Segunda- feira, 28 de maio, 23h. Minha filha chega da faculdade e troca o canal da TV. Eu, que estava ocupada com outros afazeres (domésticos) passo pela sala e que vejo na telinha me chama a atenção. Canal GNT, e efetivamente o recorte da cena que me capturou foi a de uma moça ‘’ensinando’’ como andar de sapatos de saltos altos. Dentre as instruções básicas estavam: não flexionar os tornozelos, soltar os quadris e encolher o abdômen, para que você consiga caminhar sobre um salto número dez com elegância e sensualidade. O interessante foi que no primeiro momento enquanto, a apresentadora falava, uma modelo atrás dela demonstrava como ficava a postura do corpo quando se caminha ‘’errado’’ usando um salto 10 e depois obviamente a demonstração da postura correta. Achei cômico esse primeiro momento da cena, e foi o que me fez parar para assistir com minha filha.
Essa foi a inspiração que fez ter vontade de hoje conversarmos sobre os manuais de sobrevivência no mundo pós-moderno. Observe, basta passarmos no caixa do mercado lá estão nos jornais e revistas os nossos manuais: como perder tantos quilos em tantos dias ou ‘’pense magro ou pense gordo’’; como ter uma alimentação saudável, como manter a forma; como maquiar-se para qualquer ocasião... e por aí vai, plataformas midiáticas como a televisão internet, livrarias estão lotadas de ‘’dicas’’ a orientar e conduzir nossas vidas: como cuidar de nossos bebês; como criar adolescentes; como envelhecer com qualidade de vida; como encontrar um grande amor ao e se você tem um como não perdê-lo; como fazer sexo; como manter seus dentes brancos ( e aqui autorizando e dando credibilidade ao anúncio veiculado em qualquer meio de comunicação tem sempre um dentista) como organizar seu tempo; como decorar sua casa; como educar seus filhos (Super Nanny); como vestir-se, combinar assessórios...ah, como arrumar suas malas para viagem; conforme seu estilo ( e temos de descobrir qual o nosso) que roupas básicas precisamos ter no nosso roupeiro....
Sem contar com a leitura de auto ajuda que é uma das mais vendidas e requisitadas nas estantes das bibliotecas. Está certo que manuais de etiqueta e comportamento sempre existiram, pois vivemos numa sociedade civilizada, especialmente depois da idade média para cá e temos Norbert Elias (1990), que em seu livro ‘’Processo Civilizador – Uma história dos costumes, analisou esse processo que influenciou regras sociais, e que foram manuais que modificaram o modo de viver em sociedade, aliás, hoje comemos utilizando talheres graças as esses manuais que ditavam normas adequadas aos indivíduos para que esses pudessem ascender socialmente, ou seja, ‘’ não se deve comer com as mãos’’, nem coçar partes ‘’íntimas’’ do corpo na frente de demais pessoas e por aí vai ( interessante e divertido de ler).
Mas a questão que fica é vivemos num mundo tão tecnológico e realmente dito em crise, mas também, de muitas facilidades e possibilidades, e por isso mesmo nos sentimos tão perdidos e incapacitados de gerir nossas vidas, que precisamos realmente de alguém que nos diga como organizar nossos armários, arrumar nossas malas e tantas coisas mais??? Pare! Olhe ao sue redor, preste atenção! Se pergunte, alguma vez você já utilizou alguma ‘’ ‘’manual de sobrevivência’’? Fico pensando na geração de nossos pais e avós. Todos sobreviveram e viveram.... claro que os templos são outros, mas não deixa de ser interessante pensar em como ou em quem gere nossas vidas.
Publicado em 30/06
GAD Jornal
Nanci da Cruz Mafalda - Analista Cultural
quarta-feira, 16 de maio de 2012
UMA MALA DE RODINHAS E A (IM) POSSIBILIDADE CRIAR RAÍZES E LAÇOS.
Essa escrita vem de minhas angustias, juntadas as que leio e pesquiso, mas especialmente porque acredito que posso olhar pessoas especiais e conseguir ver um pouquinho, muito pouquinho da essência que essas possuem, mas que são capazes de mobilizar em mim similitudes...e essa escrita foi inspirada em uma pessoa muito especial...
Em uma de minhas
colunas utilizei a metáfora da mochila de rodinhas para falar de educação, hoje
utilizo de uma metáfora semelhante para falar de relações humanas: a mala de
rodinhas, um artefato cultural, que se formos pensar é um dos mais significativos
no mundo de hoje. Um objeto como esse que comumente temos em casa, e é de rodinhas porque nos traz a comodidade nas nossas idas e vindas porque às torna mais
leves e a saúde física do nosso corpo agradece e todos sabemos disso . Mas, há outra forma de pensar sobre os efeitos da
praticidade da mala de rodinhas, pois afinal o mundo nunca foi de tanto
movimento, nunca tivemos, tantas razões, motivos e necessidades que nos levam a
nos locomover de um lado para outro: a
necessidade pela busca de meios de sobreviver ligadas a profissão entre outras, é uma delas.
O mundo de hoje nos dá a vantagem da agilidade e rapidez
através dos meios de locomoção e de
comunicação, pois afinal podemos estar a
milhares de quilômetros e nos comunicar em tempo real com nossa família, nossos
filhos e amigos, mas percebo que talvez tudo isso não seja tão prático assim
quando pensamos em relações humanas, que
como a milhares de anos exige proximidade física, exige o olhar, o abraço... e
percebo portanto que aquele registro de
nascimento (outro artefato cultural) que
diz de onde somos, a que lugar pertencemos e determinante sobre onde ‘’devíamos’’
construir nossas raízes foi destituído do indicativo de onde as pessoas
pertenciam e tornou-se apenas um documento de ordem burocrática. Mas, o que quero destacar é que vejo
pessoas (especialmente a nossa geração
nascida nos de 60 e 70) angustiadas, por vezes estressadas, e o mais grave tornando suas relações (im)pessoais,
senão descartáveis, ao menos quase, como
os produtos que hoje compramos e tem uma durabilidade reduzido, porque é
preciso consumir mais, pois vivemos no mundo do consumo e não mais da produção.
Para a
geração mais nova isso me parece mais
assimilável. Mas não, quando, por
exemplo, vejo um pai, angustiado, porque precisa, ‘’necessita’’ distanciar-se
da filha, porque precisa buscar seu lugar, que não é onde nasceu, nem
onde está agora, mas em função de buscar
um ‘’bom lugar’’ para sobreviver e viver mesmo em nome dessa filha que
me pareceu muito amada...um lugar ainda
incerto!
Portanto, não foi
possível deixar de pensar na mala com rodinhas, que nos alivia o peso do corpo,
faz bem a saúde, é cômoda e prática, mas que
aumenta o peso da alma e leva essa geração que transita entre
modernidade (quando nossos pais nos ensinavam que tínhamos construir uma
carreira, formar uma família, fixar-se...) e a pós-modernidade (momento que nos
encontramos em crise, profissional, pessoal emocional...onde nada é fixo) ao
limite extremo de nos submeter ao teste daquilo que nos faz
essencialmente humanos, os laços
pessoais, o vínculo, o afeto, a proximidade, o amor.
O mundo
atual nos diz a todo o momento: ‘’não
crie raízes, pois não dá mais para sobreviver assim’’ e pensamos, ‘’posso então criar laços’’...acredito sim,
que possamos criar tudo isso em outras bases, mas até quando estas bases resistirão, se um dia estamos aqui,
outro ali, na eterna busca por sermos sujeitos do mundo, por sobrevivermos, por termos coisas...e a minha/nossa geração fica a pergunta: quantas
pessoas esquecemos pelo caminho? Quantas somos capazes de levar sem prejuízo,
junto de nossa bagagem? Quantas um dia
voltaremos para buscar e não estarão mais onde pensemos ter deixado? Saberemos
nós, viver de pequenos (grandes)
momentos de existência somente?
Saberemos partilhar ou construir histórias de vida não descartáveis? Ou nos valerá sermos grandes sujeitos do mundo
somente com um amontoados de histórias
para contar?
Resposta? Sempre
bem vindas....
Nanci da Cruz Mafalda –
Pedagoga e Analista Cultural
Email: nda_cruz@hotmail.com
domingo, 6 de maio de 2012
UMA ‘’CULTURA (IM)PRÓPRIA DE NÓS EDUCADORES’’ – IV SEMINÁRIO NACIONAL DE EDUCAÇÃO -
Nos dias 25, 26, 27 de abril passado tive a
oportunidade de participar em três momentos distintos (como ouvinte, como
oficineira e apresentando um artigo e pôster) do IV Seminário Nacional de
Educação promovido pela Secretária Municipal de Educação e Cultura de Carazinho,
que tinha como tema proposto para reflexão: ‘’ Tecnologias, Humanismo, e Cooperação: as novas faces da Avaliação’’.
Tema sem dúvida pertinente ao momento que
pelo qual passa e transpassa as discussões a respeito da educação no país ’, e
são tantos mais os temas pertinentes às discussões sobre educação nos dias
atuais. Importantes falas foram feitas, importantes trabalhos foram
apresentados neste seminário, mas o que aqui quero me referir não é diretamente
ao tema, nem aos palestrantes ou oficineiros que por passaram, mas o que esses
sujeitos podiam ver do lugar de onde falavam: NÓS EDUCADORES, que lá estávamos
(ou não – e esse ‘’não’’ entendido como uma opção por realmente não estar
presente, como um ‘’não’’ que
transparece na forma de reagir à um momento em somos ‘’convocados’’ a parar
para repensar sobre a nossa prática pedagógica e aí sim temos a opção de ali estar
comprometidamente ou apenas de corpo
presente sem generalizar é claro, ).
Sei como professora pertencente ao um sistema
de ensino que temos uma tendência natural a reagir a tudo que nós é imposto por decreto
(mas chamo atenção para o fato que também temos consciência de que nos propomos
a fazer parte desse sistema. Estudamos, fizemos concurso...) e isso, é claro
não acontece somente no campo da educação.
Michael
Fullan (especialista em gestão
da educação), formulou
o princípio básico de ‘’é impossível
obrigar-se a fazer aquilo que realmente importa’’. E colocando-me no lugar
de quem nos olha ( no caso os palestrantes) e observando as avaliações de
corredores, do colega sentado ao lado ou a frente, nos corredores pergunto-me: sendo EDUCADORES qual a postura que
apresentamos nesses momentos? E qual postura como EDUCADORES nas nossas escolas
ou outros ambientes pertencentes à mesma instância educativa nós temos? Sei que
em oportunidades de discussão como esse têm momentos mais proveitosos outros
menos, mas todos são passíveis de reflexão, creio ser esse o propósito, afinal.
E aí reside uma questão intrigante, senão lamentável que se torna perceptível,
pela insistência em posturas questionáveis que estão ficando tão arraigadas a
imagem do EDUCADOR, que é uma cultura de reflexão e crítica de antemão, senão
posteriormente baseados nos mesmos pressupostos, e o detalhe importante aqui é
que são os mesmos pressupostos de muitos outros momentos iguais ou parecidos
com esse. Então pergunto como fazer uma educação melhor em NOVOS tempos? Como
sermos valorizados como profissionais de um NOVO tempo? Se nos fechamos ao novo, se nos fechamos a
possibilidade de ver no ‘’nem tão bom’’ ou no ‘’ruim’’ uma NOVA maneira própria
de pensar? Será que somos capazes de RECONHECER e VER o bom? Que nos falta para
quebrar essa CULTURA (im)própria que incide na identidade de nós EDUCADORES?
Como superar de modelos mentais
subjetivos, as vezes, tão enraizados na nossa identidade de EDUCADORES? E como
desmistificar a imagem que infelizmente
temos deixado transparecer diante da sociedade no sentido de quem somos, o que
parecermos ser e o que devemos ser quando temos um papel social fundamental?
Para deixar um viés possível de pensarmos sobre
isso, e a temática do seminário é rica para isso (Tecnologias, Humanismo, e
Cooperação), cito (Cornelis, 1998),
quando ele afirma “lidar com
questões e situações novas com base em velhas ideias vai, com certeza produzir
verdadeiras catástrofes em termos de aprendizagem”.
Quem sabe devíamos não só olhar para quem nos
fala, mas não seria interessante
olharmos para nos mesmos enquanto EDUCADORES.
Nanci
da Cruz Mafalda – Pedagoga e Analista Cultural
sábado, 28 de abril de 2012
ESTUDOS CULTURAIS: CONCEITOS (PARA RIR UM POUQUINHO)
narrativa, endereçamento, mídia, linguagem, representação... etc... etc...e o que mais for possível pensar ...só pra rir um poquinho...
Como a história da Chapeuzinho Vermelho seria veiculada pela imprensa brasileira?
*Jornal Nacional*
(William Bonner): 'Boa noite. Uma menina chegou a ser devorada por um lobo na noite de ontem.'
(Fátima Bernardes): '.mas a atuação de um caçador evitou a tragédia.'
*Programa da Hebe**
".Que gracinha, gente! Vocês não vão acreditar, mas essa menina
linda aqui foi retirada viva da barriga de um lobo, não é mesmo?"
*Cidade Alerta*
".Onde é que a gente vai parar, cadê as autoridades? Cadê as autoridades? A menina ia pra casa da vovozinha a pé! Não tem transporte público! Não tem transporte público! E foi devorada viva.
Um lobo, um lobo safado. Põe na tela, primo! Porque eu falo mesmo, não tenho medo de lobo, não tenho medo de lobo, não!"
*Superpop*
"Geeente! Eu tô aqui com a ex-mulher do lenhador e ela diz que ele é alcoólatra, agressivo e que não paga pensão aos filhos há mais de um ano. Abafa o caso!"
*Globo Repórter*
"Tara? Fetiche? Violência? O que leva alguém a comer, na mesma noite, uma idosa e uma adolescente?
O Globo Repórter conversou com psicólogos, antropólogos e com amigos e parentes do Lobo, em busca da resposta.
E uma revelação: casos semelhantes acontecem dentro dos próprios lares das vítimas, que silenciam por medo. Hoje, no Globo Repórter.."
*Discovery Channel*
"Vamos determinar se é possível uma pessoa ser engolida viva e sobreviver."
*Revista Veja*
"Lula sabia das intenções do Lobo e se calou para não prejudicar a campanha da Dilma."
*Revista Cláudia*
"Como chegar à casa da vovozinha sem se deixar enganar pelos lobos no caminho."
*Revista Nova*
"Dez maneiras de levar um lobo à loucura, na cama!"
*Revista Isto É*
Gravações revelam que lobo foi assessor de político influente.
*Revista Playboy*
(Ensaio fotográfico com Chapeuzinho no mês seguinte): "Veja o que só o lobo viu."
*Revista Vip*
"As 100 mais sexies - Desvendamos a adolescente mais gostosa do Brasil!"
*Revista G Magazine*
(Ensaio com o lenhador) "O lenhador mostra o machado."
*Revista Caras*
Na banheira de hidromassagem, Chapeuzinho fala a CARAS: "Até ser devorada, eu não dava valor pra muitas coisas na vida. Hoje, sou outra pessoa."
*Revista Superinteressante*
"Lobo Mau: mito ou verdade?"
*Revista Tititi*
"Lenhador e Chapeuzinho flagrados em clima romântico em jantar no Rio."
*Folha de São Paulo*
"Lobo que devorou menina é do Comite de Campanha da Dilma"
*O Estado de São Paulo*
"Lobo que devorou menina seria filiado ao PT."
*O Globo*
"Petrobrás apóia ONG do lenhador ligado ao PT, que matou um lobo para salvar menor de idade carente."
*O Povo*
"Sangue e tragédia na casa da vovó."
*O Dia*
"Lenhador desempregado tem dia de herói."
*Extra*
"Promoção do mês: junte 20 selos, mais 19,90 e troque por uma capa vermelha igual a da Chapeuzinho!"
*Zero hora*
"Lenhador passou o rodo e mandou lobo pedófilo pro saco!"
*Capricho*
Teste: "Seu par ideal é lobo ou lenhador?"
Uma visão crítica da Modernidade.
TOURAINE, Alain. Uma visão crítica da Modernidade. Cadernos de Sociologia, Porto Alegre, v. 5, n.5, 1993. pgs.32-41
1- Dados sobre o autor e sua obra.
Professor de história, sociólogo, doutor em letras, Alain Touraine nasceu na França em 1925. Na década de 1950, criou o Laboratório de Sociologia do Trabalho na França. Nos anos 60 foi presidente da Société de Sociologie Française. Foi co-fundador da revista Sociologia Du Travail. O seu pioneirismo no estudo da condição operária do capitalismo industrial levou-o a escrever “ La conscience ouvriére” em 1966.
Sua paixão pela América Latina data também dos anos 50. Casou-se com uma chilena e foi no Chile que criou o Centro de Investigação em Sociologia do Trabalho na Universidade do Chile, vindo a exercer forte influência na sociologia latino-america. Entre as décadas de 1960 e de 1970, antecipava o fim do industrialismo e a emergência da “sociedade pós-industrial”. É a partir de então, que faz a transição da sociologia do trabalho para a sociologia dos movimentos sociais, ou seja, a sociologia da ação. Cria então, o Centro Estudos dos Movimentos Sociais e se torna vice-presidente da Associação Internacional de Sociologia.
No começo dos anos de 1980, por conta dos novos movimentos sociais dedica-se a estudar, durante um ano, na Polônia, o Solidarnosc. Criou em 1981 o Centre d’analyse ET d’intervention sociologiques, sediado na École de hautes ètudes em Sciences Sociales. A partir de então, o conceito de sociologia como intervenção tornou-se sua linha de conduta. Sua ligação com a América Latina levou a escrever em 1988 “La Parole ET le Sang”, inicialmente escrita no Chile. A nova realidade social do final dos anos de 1980, o faz intuir uma nova emergência: a de um mosaico de novos atores sociais.
Em 1984 escreveu “Le Retour de L’Acteur”. A queda do muro de Berlin em 1989, mais o convenceu dessa nova situação que o conduziu à compreensão, anos mais tarde, dos movimentos anti-globalização. Em 1995, escreve duas obras marcantes desta nova fase que são “Pourrons-nous vivre ensemble?” de 1997, onde lançou a máxima “iguais e diferentes” e Comment Sortir Du libéralisme em 1999.
2- Elucidação da terminologia básica.
- Modernidade: na tradição ocidental tem sido definida pelo progressivo triunfo da razão sobre as tradições, da ação científica ou tecnológica sobre sistemas de controle social e cultural. Já politicamente significa a identificação da ação voluntária com as leis naturais da história e o marxismo é a escola política mais influente, a qual tratava do homem e o conjunto de suas relações sociais e do caráter básico dos modos e das relações de produção de onde se processava a divisão de classes na sociedade.
- Funcionalismo: escola de pensamento social essencial ao conceito de modernidade, pois possibilitava compreender e ajustar os sistemas de regulações da sociedade, através de uma representação da ordem social, onde as normas deveriam ser explicadas pela função que elas desempenhavam do ponto de vista da sociedade global, no caso, uma elite esclarecida, masculina, burguesa e ocidental.
- Pós-modernidade: segundo o autor refere-se não a definição de uma era, mas é o reconhecimento da decomposição da modernidade, onde não se postula mais que a abundância, democracia e felicidade pessoal progridem juntas.
- Racionalização: pelo período que correspondeu a primeira fase da sociedade industrial a racionalização tornou-se princípio central da ação social, mas a partir do final do século XIX essa situação se modifica porque a sociedade orientada até então para a produção, passa a ser a orientada para o consumo. Isto faz com que a racionalidade seja reduzida à mera instrumentalidade e subordinada a demanda tal como se expressa pelo mercado. Sociologicamente, a racionalização é sinônimo de realização e é o objetivo comum para todos os atores de uma sociedade moderna.
- Subjetivação: No século XIX o mundo da subjetividade tornou-se anti-racional, ou seja, os atores sociais foram esmagados em sua subjetividade pela racionalização. Já na contemporaneidade Foucault diz que subjetivação nada mais é do que a transformação de seres humanos em “objetos” da sociedade, ou seja, é a subordinação dos indivíduos à utilidade social. Touraine por sua vez, entende a subjetivação como a construção do sujeito quando se opõe à procura de uma felicidade que só pode nascer da recomposição de uma experiência de vida pessoal e autônoma que não pode, nem quer escolher entre a globalização onipresente e a identidade.
3 Identificação do tema
Em “ uma visão crítica da modernidade”, Touraine, em oito tópicos levantados no texto, tece críticas às ancoragens propostas pela modernidade, partindo do conceito desta na sociedade ocidental, o qual apontava para a criação de um novo mundo e de uma nova imagem de homem, que era definido pelo seu poder criativo, que era conquistada quando as leis da natureza eram compreendidas e utilizadas para fortalecer seu controle das forças naturais.
4 - Apreensão da problemática.
O problema examinado por Touraine diz respeito ao exame e a crítica dos cânones da modernidade que entraram em crise no século XX, e ele o faz sob a égide dos conceitos da tradição ocidental. Sua visão alarga-se para além da concepção de uma modernidade limitada, mas avança para a análise do modo de viver da sociedade atual nas instâncias culturais, sociais, políticas e econômicas, apontando para o conflito entre a racionalização e a subjetivação
5 – Proposição fundamental da tese.
A proposição fundamental da tese de Touraine, em “ uma visão crítica da modernidade” é a de que a partir do final do século XIX a modernidade como tradicionalmente concebida começa a sofrer rupturas, em função da passagem de uma sociedade da industrialização para uma sociedade do consumo em massa, onde a racionalidade que antes definia os objetivos da vida social (ordem, progresso, felicidade pessoal), passa a ser subordinada às condições expressas pelo mercado capitalista. Nesse ínterim, conflituam-se as noções de ordem e norma social, de sujeito e seu papel na sociedade, e das questões de subjetividade e de racionalidade.
6 - Levantamento da argumentação.
Em síntese, o autor argumenta em favor do diálogo entre racionalização e a subjetivação para explicar a modernidade na sua plenitude. Não o faz sem dar visibilidade ao conflito que se estabelece a partir do momento em que nos dá a noção de que o mundo moderno não se guia mais exclusivamente pela racionalidade que identificava interesses e ideologias dominantes, mas atenta para a defesa da personalidade individual e dos interesses das minorias tendo como agente o movimento social: homo economicus x homo culturalis.
7 – Resumo.
Para Touraine, a modernidade significou o triunfo da razão sobre as tradições, da ação científica ou tecnológica sobre o sistema de controle social e cultural, do universalismo sobre o particularismo, da produção sobre a reprodução, caracterizando-se pela expressão historicista da “razão objetiva”, tendo a tradição marxista como a mais influente escola de política moderna. O funcionalismo, introduzido por Maquiavel tornou-se o princípio central da filosofia clássica, de Hobbes e Rousseau a Durkhein e Parsons, como escola de pensamento social, a qual foi um elemento essencial do conceito geral da modernidade, determinando que as normas sociais deviam ser definidas em referência a sua utilidade social, pela funcionalidade de instituições e comportamentos.
Para ele, na modernidade o progresso é transformado na ideologia central das novas elites “republicana” ou “liberal” da Europa e das Américas secularizadas, além de servir como instrumento “revolucionário” de destruição de “Antigos Regimes” e de meio para submeter categorias tradicionais ou irracionais à norma de uma elite esclarecida, masculina, burguesa e ocidental.
Afirma também, que é na primeira fase da sociedade industrial que a racionalização tornar-se o princípio fundamental da ação social onde a Grã-Bretanha foi tida como fabricante de bens de consumo para o resto do mundo e pequena parte da Europa ocidental e da América do Norte, que parecia dominada por esse ideal nas atividades militares e administrativas e na vida econômica.
Enfatiza o autor, que os cientistas sociais estabeleceram resistência ao fato da subordinação da produção à demanda e houve a tentativa de resgatar o pensamento racional pela eliminação do sujeito como uma visão perigosa, como o instrumento de repressão dos impulsos naturais pelos dispositivos de controle social e socialização (subjetivação – subordinação dos indivíduos à utilidade social - Foucault).
Ensina Touraine, que no final do século XIX, o mundo da subjetividade tornou-se anti-racional e com freqüência fundiu-se com os movimentos sociais. Depois dos séculos XVIII e XIX o pensamento moderno é dualista de novo (racionalização/subjetivação), de triunfante monismo e identificação da modernidade com a racionalidade. A identificação feita pelo século XIX entre o progresso econômico e a libertação social foi desafiada pelo século XX e a subjetividade dos atores sociais emerge do esmagamento da racionalização. Para além da crítica dos sistemas todo-poderosos de dominação e manipulação o indivíduo, só pode encontrar criatividade nas artes. Citando Foucault, o autor assinala que o progresso da subjetivação ao longo da Cristandade e as referências crescentes à subjetividade nos tempos modernos afirma que esta significa a transformação dos seres humanos em súditos de um Príncipe cada vez mais impessoal.
Segundo ele, é o triunfo da racionalidade instrumental. Surgem os regimes totalitários, nazistas, comunistas ou nacionalistas com a intenção de criar um novo homem, defender e criar identidades coletivas, e inventar tipos diferentes de modernização.
Na metade do século XX, após a Segunda Guerra Mundial, mudam os padrões de consumo e a sociedade orientada para a produção foi transformada em sociedade do consumo de massa e a racionalidade foi reduzida à mera instrumentalidade subordinada a demanda tal como esta se expressa no mercado. A sociologia desaparece e a pós-modernidade surge em reconhecimento da decomposição da modernidade.
Desse modo, a ideologia modernista desaparece: poucos cientistas sociais pensam ainda que abundância, democracia e felicidade pessoal progridem juntas, ou que é preciso aceitar a fatalidade de uma geração sacrificada para construir um brilhante futuro para todos. Ao contrário, a modernidade é cada vez mais identificada com as forças de mercado impessoal ou com poder militar, enquanto a subjetividade parece ligar-se, à defesa anti-modernista de uma identidade individual ou coletiva ameaçada.
Para Touraine, a idéia de pós-modernidade nos propõe escolhas insatisfatórias (visão objetiva e subjetiva) sendo recomendável reexaminar a idéia de modernidade, sobretudo criticar a identificação exclusiva da modernidade com a racionalidade. Emerge a concepção dualista do homem (Descartes – Corpo (razão) e alma) e a modernidade não é vista mais como a passagem da religião à razão, mas a ruptura de cosmologias que identificavam leis naturais com as intenções de Deus e fundiam a filosofia grega com revelações hebraica ou cristã. No começo significava separação entre natureza e subjetividade
O autor recomenda que o grau da modernidade deva ser avaliado não pelo grau de secularização, mas, pelo grau de separação e combinação entre dois processos complementares e conflitantes: racionalização e subjetivação. No século XX - escola de Frankfurt – identifica a modernidade com razão instrumental e a ruptura entre o homo economicus e homo culturalis, entre a elite governante e as categorias exploradas.
Touraine é firme na sua argumentação quando enfatiza que instala-se o conflito entre a racionalização e a subjetivação. A racionalização que corresponde a interesses e ideologias das elites dirigentes, despotismo esclarecido, defesa de liberdade pessoal sempre correspondentes a interesses e orientações de grupos ou indivíduos dominados. E a subjetivação que vem conflituar as monarquias absolutas e o individualismo burguês nos séculos XVIII e XIX, assim como, os outros métodos de racionalização empresariais e a defesa da autonomia individual e coletiva dos trabalhadores, e recentemente a defesa da personalidade individual face a indústrias culturais tecnologicamente modernizadas como a assistência médica, a educação ou os meios de comunicação de massa
Assim sendo, a modernidade pode ser avaliada pela capacidade de compreender diferentes orientações universalistas, assim como os particularismos dos povos e perceber a verdade e autenticidade nas palavras e comportamento dos outros, como diz Habermas de maneira tão convincente.
Encerra Touraine, dizendo que a identificação de racionalização, realização e individualismo perdeu sua auto-confiança e que o progresso não é mais identificado como crescimento econômico e liberdade pessoal. Devemos, pois, considerar como mais modernos os sistemas sociais que reconhecem melhor as relações complementares e conflitantes entre racionalização e subjetivação, ou seja, considerar como modernas todas as formas de combinação entre eficiência econômica e direitos humanos, entre valores universalistas e experiências específicas e tradições culturais, a fim de evitar a perigosa ruptura entre elites hegemônicas, políticas, econômicas, e grupos dominados em busca de identidade.
CARAZINHO RECEBE A EXPOSIÇÃO ''AVE FLOR''
Carazinho recebe em maio
exposição que reúne botânica, fotografia e poesia
Mostra “Ave, Flor” será
aberta à comunidade no dia 03 de maio.
A mostra
“Ave, Flor”, que reproduz fotografias das imagens botânicas de Anelise Scherer,
realizadas pelo fotógrafo Pierre Yves Refalo, chega a Carazinho. Numa promoção
do Arte Sesc – Cultura por toda parte,
a exposição está aberta ao público de 03 a 31 de maio, no Museu Olívio Otto
(Av. Flores da Cunha - 1246), das 8:30 as 11:30 e 14:00 as 17:00 Hs. No dia de lançamento (03/05) e em todas as
quartas-feiras a entrada é franca.
Baseada no
livro de poesia “Ave, Flor” de Cleonice Bourscheid, as imagens constituem um
harmonioso projeto que se compõe da obra editada e impressa com requintes de
publicação de arte. Mais informações podem ser obtidas no Sesc Carazinho,
através dos telefones (54) 3331-2451 e 3331-2361.
Sobre
o Sesc - No Rio Grande do Sul, o Sesc está presente em
mais de 450 municípios com atividades sistemáticas em áreas como a saúde,
esporte, lazer, cultura, cidadania, turismo e educação. Desta forma, o Sesc/RS desempenha o papel
social assim como o Senac/RS o da qualificação profissional do Sistema
Fecomércio-RS que atua em âmbito econômico, político e social pela constante
qualificação e crescimento do setor terciário gaúcho. Mais informações sobre a
entidade pelo www.sesc-rs.com.br.
UM POUCO DE POESIA ''CÂNTICO NEGRO''
José Régio
"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!
QUE RAIO DE MULHERES SOMOS NÓS??
Me perguntaram qual o sentido do nome
desta coluna - FATO CULTURAL'' tendo a palavra ''artefato''
separada. Respondendo aos leitores que estranharam essa forma de escrita, digo
que esta coluna tem como proposta não falar ou divulgar fatos específicos da
área cultural ( até porque, isso este jornal faz com propriedade), nem de fazer algum tipo de explanação
teórica sobre história, arqueologia ou áreas
afins, mas sim entender que ''artefato''
entre tantas definições pode definido como obra ou trabalho produzido pelo homem
em qualquer tempo. E neste espaço queremos falar dos artefatos que são produzidos hoje, que
não são somente objetos, mas podem ser filmes, programas de televisão, músicas,
documentos, internet, etc... e tecer algumas relações entre eles e nossa vida
cotidiana, na modesta intenção de que o leitor possa ver de modo diferente
aquilo que esta acostumado a ver, lidar,
pensar cotidianamente. E escrita separadamente, além de provocar justamente a
curiosidade, justifica-se pela ideia de amplitude das possibilidades de pensar
sobre as coisas do nosso dia a dia.
Jornal
- este é o artefato que analisaremos hoje para tentar provocar no leitor(a) um
estranhamento daquilo que já estamos acostumados a ''comemorar'' todo dia 8 de
março: dia da mulher! Mais precisamente falo o jornal Zero Hora do dia
08/03/2012. Por entre as páginas de todo o jornal vemos propagandas de produtos
farmacêuticos, carros, roupas,
cosméticos, moda íntima, móveis e decorações... todas ilustradas com belas
mulheres jovens de cabelos loiros ou morenos e pele branca, corpos esculpidos,
peles perfeitas, vestidas com roupas da última tendência da moda, num cenário
de muita cor rosa, de muitas rosas e pérolas . Todos esses produtos nos mostrando
por essas mulheres nos oferecem (vendem) a oportunidade de sermos belas,
charmosas, encantadoras, sedutoras, independentes.... entre tantos outros
atributos exigíveis pela sociedade de uma mulher do século XXI.
O
interessante é que no segundo caderno desse mesmo jornal, desse mesmo dia o
título da reportagem é: ''8 mulheres que admiramos'' . Nela cineastas, escritos, artistas, músicos, psicanalistas,
compositores, professores escolheram: Fernanda Montenegro (atriz) Jeanne Moreau
( atriz), Joni Mitchel (cantora canadense), Regina Silveira ( artista
plástica), Carlota Albuquerque (coreografa), J.K. Rowling (autora inglesa da
série Harry Potter), Rita Lee ( cantora)
e Barabara Heliodora ( professora, tradutora e historiadora, ligada ao
teatro), como os modelos de mulher que
mais admiram. Muito bem, analisando a imagens dessas mulheres, a considerar o
fato de serem famosas por seu trabalho e estarem elegantemente vestidas, o fato
é que todas, nesse caso, são mulheres maduras, que trazem na face, nos cabelos,
na pele, nos gestos (captados pela câmera fotográfica) traços e marcas do tempo. Tempo que cada uma dentro das suas escolhas profissionais e pessoais que fizeram
nada parecem com aquelas mulheres que com faces e belos corpos, tentam dizer
através da sua imagem quem devemos ser como mulheres. Fica a pergunta: contradição? Ou acumulação
de todos os jeitos de ser? Ou ainda, qual dessas mulheres buscamos ser? Ou
seja, que raio de mulher sou eu ou é você? Queremos ou necessitamos ser todas
elas juntas? Sermos belas a todo custo (plásticas, tratamentos estéticos,
maquiagem...), elegantes, requintadas, educadas, bem sucedidas profissionalmente, joviais,
sensíveis, fortes, mães, profissionais, amantes, esposas, namoradas, sozinhas
(porque não?)?
Fico
pensando que qualquer uma dessas mulheres citadas, devem como nós acordar
despenteadas, sem maquiagem, ter quilinhos a mais, ter o dia que não deu para
fazer a unha, ter projetos profissionais
ou pessoais que não deram certo, entre tantas coisas do gênero. Mas também ouso pensar também
temos um pouco de cada uma dessas mulheres. Sem extremos ou culpas (pelo menos
deveria ser assim), estamos aí, no mundo de tantos modelos, de tantas imagens,
de tantas exigências buscando saber quem somos e sabendo disso buscando
espaços, principalmente para viver melhor.
Para
reflexão fica a frase publicada no editorial desse mesmo jornal (p. 14): ''
causa feminina acumula ganhos, ainda que num ritmo lento, mas, enquanto um dia
especificamente dedicado à mulher continuar coma importância de hoje, será
sinal que nem todos os avanços possíveis foram assegurados''
Nanci da Cruz Mafalda – Pedagoga e analista
cultural
Coluna publicada no Jornal GAD Notícias –
Carazinho – Tiragem Inicial 10mil exemplares
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