sábado, 28 de abril de 2012

ESTUDOS CULTURAIS: CONCEITOS (PARA RIR UM POUQUINHO)

narrativa, endereçamento, mídia, linguagem, representação... etc... etc...e o que mais for possível pensar ...só pra rir um poquinho...

Como a  história da Chapeuzinho Vermelho  seria  veiculada pela imprensa brasileira? 
*Jornal Nacional* 

(William Bonner)
: 'Boa noite. Uma menina chegou a ser devorada por um lobo na noite de ontem.'         
(Fátima Bernardes)
: '.mas a atuação de um caçador evitou a tragédia.'   

*Programa da Hebe**
 


".Que gracinha, gente! Vocês não vão acreditar, mas essa menina
linda aqui foi retirada viva da barriga de um lobo, não é mesmo?" 

*Cidade Alerta* 


".Onde é que a gente vai parar, cadê as autoridades? Cadê as autoridades? A menina ia pra casa da vovozinha a pé! Não tem transporte público! Não tem transporte público! E foi devorada viva.
Um lobo, um lobo safado. Põe na tela, primo! Porque eu falo mesmo, não tenho medo de lobo, não tenho medo de lobo, não!" 


*Superpop*


"Geeente! Eu tô aqui com a ex-mulher do lenhador e ela diz que ele é alcoólatra, agressivo e que não paga pensão aos filhos há mais de um ano. Abafa o caso!"     
*Globo Repórter* 


"Tara? Fetiche? Violência? O que leva alguém a comer, na mesma noite, uma idosa e uma adolescente?
O Globo Repórter conversou com psicólogos, antropólogos e com amigos e parentes do Lobo, em busca da resposta.
E uma revelação: casos semelhantes acontecem dentro dos próprios lares das vítimas, que silenciam por medo. Hoje, no Globo Repórter.."   

*Discovery Channel* 


"Vamos determinar se é possível uma pessoa ser engolida viva e sobreviver."

*Revista Veja*


"Lula sabia das intenções do Lobo e se calou para não prejudicar a campanha da Dilma." 

*Revista Cláudia* 


"Como chegar à casa da vovozinha sem se deixar enganar pelos lobos no caminho."         
*Revista Nova* 


"Dez maneiras de levar um lobo à loucura, na cama!" 

*Revista Isto É*


Gravações revelam que lobo foi assessor de político influente.

*Revista Playboy*


(Ensaio fotográfico com Chapeuzinho no mês seguinte)
: "Veja o que só o lobo viu." 

*Revista Vip*


"As 100 mais sexies - Desvendamos a adolescente mais gostosa do Brasil!"

*Revista G Magazine*


(Ensaio com o lenhador)
 "O lenhador mostra o machado." 

*Revista Caras*


Na banheira de hidromassagem, Chapeuzinho fala a CARAS: "Até ser devorada, eu não dava valor pra muitas coisas na vida. Hoje, sou outra pessoa." 

*Revista Superinteressante*


"Lobo Mau: mito ou verdade?"

*Revista Tititi*


"Lenhador e Chapeuzinho flagrados em clima romântico em jantar no Rio."

*Folha de São Paulo*


"Lobo que devorou menina é do Comite de Campanha da Dilma"

*O Estado de São Paulo*


"Lobo que devorou menina seria filiado ao PT."

*O Globo*


"Petrobrás apóia ONG do lenhador ligado ao PT, que matou um lobo para salvar menor de idade carente."

*O Povo* 


"Sangue e tragédia na casa da vovó." 

*O Dia*


"Lenhador desempregado tem dia de herói."

*Extra*


"Promoção do mês: junte 20 selos, mais 19,90 e troque por uma capa vermelha igual a da Chapeuzinho!"   

*Zero hora*


"Lenhador passou o rodo e mandou lobo pedófilo pro saco!"

*Capricho* 
Teste: "Seu par ideal é lobo ou lenhador?"

Uma visão crítica da Modernidade.

TOURAINE, Alain. Uma visão crítica da Modernidade. Cadernos de Sociologia, Porto Alegre, v. 5, n.5,  1993. pgs.32-41


1- Dados sobre o autor e sua obra.

Professor de história, sociólogo, doutor em letras, Alain Touraine nasceu na França em 1925. Na década de 1950, criou o Laboratório de Sociologia do Trabalho na França. Nos anos 60 foi presidente da Société de Sociologie Française. Foi co-fundador  da revista Sociologia Du Travail. O seu pioneirismo no estudo da condição operária do capitalismo industrial levou-o a escrever “ La conscience ouvriére” em 1966.
Sua paixão pela América Latina data também dos anos 50. Casou-se com uma chilena e foi no Chile que criou o Centro de Investigação em Sociologia do Trabalho na Universidade do Chile, vindo a exercer forte influência na sociologia latino-america. Entre as décadas de 1960 e de 1970, antecipava o fim do industrialismo e a emergência da “sociedade pós-industrial”. É a partir de então, que faz a transição da sociologia do trabalho para a sociologia dos movimentos sociais, ou seja, a sociologia da ação. Cria então, o Centro Estudos dos  Movimentos Sociais e se torna vice-presidente  da Associação Internacional de Sociologia.
No começo dos anos de 1980, por conta dos novos movimentos sociais dedica-se a estudar, durante um ano, na Polônia, o Solidarnosc. Criou em 1981 o Centre d’analyse ET d’intervention sociologiques, sediado na École de hautes ètudes em Sciences Sociales. A partir de então, o conceito de sociologia como intervenção tornou-se sua linha de conduta. Sua ligação com a América Latina levou a escrever em 1988 “La Parole ET le Sang”, inicialmente escrita no Chile. A nova realidade social do final dos anos de 1980, o faz intuir uma nova emergência: a de um mosaico de novos atores sociais.
Em 1984  escreveu “Le Retour de L’Acteur”. A queda do muro de Berlin em 1989,  mais o convenceu  dessa nova situação que o conduziu à compreensão, anos mais tarde, dos movimentos anti-globalização. Em 1995, escreve duas obras marcantes desta nova fase que são “Pourrons-nous vivre ensemble?” de 1997, onde lançou a máxima “iguais e diferentes” e Comment Sortir Du libéralisme em 1999.


2- Elucidação da terminologia básica.


- Modernidade: na tradição ocidental tem sido definida pelo progressivo triunfo da razão sobre as tradições, da ação científica ou tecnológica sobre sistemas de controle social e cultural. Já politicamente significa a identificação da ação voluntária com as leis naturais da história e o marxismo é a escola política mais influente, a qual tratava do homem e o conjunto de suas relações sociais e do caráter básico dos modos e das relações de produção de onde se processava a divisão de classes na sociedade.
- Funcionalismo: escola de pensamento social essencial ao conceito de modernidade, pois possibilitava compreender e ajustar os sistemas de regulações da sociedade, através de uma representação da ordem social, onde as normas deveriam ser explicadas  pela função que elas desempenhavam do ponto de vista da sociedade global, no caso, uma elite esclarecida, masculina, burguesa e ocidental.
- Pós-modernidade: segundo o autor refere-se não a definição de uma era, mas é o reconhecimento da decomposição da modernidade, onde não se postula mais que a abundância, democracia e felicidade pessoal progridem juntas.
- Racionalização: pelo período que correspondeu a primeira fase da sociedade industrial a racionalização  tornou-se princípio  central da ação social, mas a partir  do final do século XIX  essa situação se modifica porque a sociedade orientada até então para a produção, passa a ser a orientada para o consumo. Isto faz com que a racionalidade seja reduzida à mera instrumentalidade e subordinada a demanda tal como se expressa pelo mercado. Sociologicamente, a racionalização é sinônimo de realização e é o objetivo comum para todos os atores de uma sociedade moderna.
- Subjetivação: No século XIX o mundo da subjetividade tornou-se anti-racional, ou seja, os atores sociais foram esmagados em sua subjetividade pela racionalização. Já na contemporaneidade Foucault diz que subjetivação nada mais é do que a transformação de seres humanos em “objetos” da sociedade, ou seja, é a subordinação dos indivíduos à utilidade social. Touraine por sua vez, entende a subjetivação como a construção do sujeito quando se opõe à procura de uma felicidade que só pode nascer da recomposição de uma experiência de vida pessoal e autônoma que não pode, nem quer escolher entre a globalização onipresente e a identidade.

3    Identificação do tema

Em “ uma visão crítica da modernidade”, Touraine,  em oito tópicos levantados no texto,  tece críticas às ancoragens propostas  pela modernidade, partindo do conceito desta na sociedade ocidental, o qual apontava  para a  criação de um novo mundo e de uma nova imagem de homem, que era definido pelo seu poder criativo, que era  conquistada quando as leis da  natureza eram compreendidas e utilizadas  para fortalecer seu controle das forças naturais.

4    - Apreensão da problemática.

            O problema examinado por Touraine diz respeito ao exame e a crítica dos cânones da modernidade que entraram em crise no século XX, e ele o faz sob a égide dos conceitos da tradição ocidental. Sua visão alarga-se para além da concepção de uma modernidade limitada, mas avança para a análise do modo de viver da sociedade atual nas instâncias culturais, sociais, políticas e econômicas, apontando para o conflito entre a racionalização e a subjetivação

5 – Proposição fundamental da tese.

A proposição fundamental da tese de Touraine, em “ uma visão crítica da modernidade” é a de que a partir do final do século XIX a modernidade como tradicionalmente concebida começa a sofrer rupturas, em função da passagem de uma sociedade da industrialização para uma sociedade do consumo em massa, onde a racionalidade que antes definia os objetivos da vida social (ordem, progresso, felicidade pessoal), passa  a ser subordinada às condições expressas pelo mercado capitalista. Nesse ínterim, conflituam-se as noções de ordem e norma social, de sujeito e seu papel na sociedade, e das questões de subjetividade e de racionalidade.

6    -  Levantamento da argumentação.

Em síntese, o autor argumenta em favor do diálogo entre racionalização e a subjetivação para explicar a modernidade na sua plenitude. Não o faz sem dar visibilidade ao conflito que se estabelece a partir do momento em que nos dá a noção de que o mundo moderno não se guia mais exclusivamente pela racionalidade que identificava interesses e ideologias dominantes, mas atenta para a defesa da personalidade individual e dos interesses das minorias  tendo como agente o movimento social: homo economicus x homo culturalis.

7    – Resumo.


Para Touraine, a modernidade significou o triunfo da razão sobre as tradições, da ação científica ou tecnológica sobre o sistema de controle social e cultural, do universalismo sobre o particularismo, da produção sobre a reprodução, caracterizando-se pela  expressão historicista da “razão objetiva”, tendo a  tradição marxista como  a mais influente escola de política moderna. O funcionalismo, introduzido por  Maquiavel  tornou-se o  princípio central da filosofia clássica, de Hobbes e Rousseau a Durkhein e Parsons, como escola de pensamento social, a qual foi um elemento essencial do conceito geral da modernidade, determinando que as normas sociais  deviam ser definidas em referência a sua utilidade social, pela funcionalidade de instituições e comportamentos.
Para ele, na modernidade o progresso é transformado  na ideologia central das novas elites “republicana” ou “liberal” da Europa e das Américas secularizadas, além de servir como instrumento “revolucionário” de destruição de “Antigos Regimes” e de meio para submeter categorias tradicionais ou irracionais à norma de uma elite esclarecida, masculina, burguesa e ocidental.
Afirma também, que é na primeira fase da sociedade industrial que a racionalização tornar-se o princípio fundamental da ação social onde a Grã-Bretanha  foi tida como fabricante de bens de consumo para o resto do mundo e pequena parte  da Europa ocidental e da América do Norte, que  parecia dominada por esse ideal  nas atividades militares e administrativas  e na vida econômica.
Enfatiza o autor,  que os cientistas sociais estabeleceram resistência ao fato  da subordinação da produção à demanda e houve a tentativa de resgatar o pensamento  racional pela eliminação do sujeito  como uma visão perigosa, como o instrumento de repressão dos impulsos naturais pelos dispositivos de controle social e socialização (subjetivação – subordinação dos indivíduos à utilidade social - Foucault).
Ensina Touraine, que no final do século XIX, o mundo da subjetividade tornou-se anti-racional e com freqüência  fundiu-se com os movimentos sociais. Depois dos séculos XVIII e XIX o pensamento moderno é dualista de novo (racionalização/subjetivação), de triunfante monismo e identificação da modernidade com a racionalidade. A identificação feita pelo século XIX entre o progresso econômico  e a libertação social foi desafiada pelo século XX e a subjetividade dos atores sociais emerge do esmagamento da racionalização. Para  além da crítica dos sistemas todo-poderosos de dominação e manipulação o indivíduo, só pode encontrar criatividade nas artes. Citando Foucault,  o autor assinala que o progresso da subjetivação ao longo da Cristandade  e as referências crescentes à subjetividade nos tempos modernos afirma que esta significa a transformação dos seres  humanos em súditos de um Príncipe  cada vez mais impessoal.
Segundo ele, é o triunfo da racionalidade instrumental. Surgem os regimes totalitários, nazistas, comunistas ou nacionalistas com a intenção de criar um novo homem, defender e criar identidades coletivas, e inventar tipos diferentes de modernização.
Na metade do século XX, após a Segunda Guerra Mundial, mudam os padrões de consumo e a sociedade orientada para a produção foi transformada em sociedade do consumo de massa e a racionalidade foi reduzida à mera instrumentalidade subordinada a demanda tal como esta se expressa no mercado. A sociologia desaparece e a pós-modernidade surge em reconhecimento da decomposição da modernidade.
Desse modo, a ideologia modernista desaparece: poucos cientistas sociais pensam ainda que abundância, democracia e felicidade pessoal progridem juntas, ou que é preciso aceitar a fatalidade de uma geração sacrificada para construir um brilhante futuro para todos. Ao contrário, a modernidade é cada vez mais identificada com as forças de mercado impessoal  ou com poder militar, enquanto a subjetividade parece ligar-se, à defesa anti-modernista de uma identidade individual ou coletiva ameaçada.
Para Touraine, a idéia de pós-modernidade nos  propõe escolhas insatisfatórias (visão objetiva  e subjetiva) sendo recomendável  reexaminar a idéia de modernidade, sobretudo criticar a identificação exclusiva da modernidade com a racionalidade. Emerge a concepção dualista do homem (Descartes – Corpo (razão) e alma) e a  modernidade  não é vista mais como a passagem da religião à razão, mas a ruptura de cosmologias que identificavam leis naturais com as intenções de Deus e fundiam a filosofia grega com revelações hebraica ou cristã. No começo significava separação entre natureza e subjetividade
O autor recomenda que o grau da modernidade deva ser avaliado não pelo grau de secularização, mas, pelo grau de separação e combinação entre dois processos complementares e conflitantes: racionalização e subjetivação. No século XX  - escola de Frankfurt – identifica a modernidade com razão instrumental e a ruptura entre o homo economicus e homo culturalis, entre a elite governante e as categorias exploradas.
Touraine é firme na sua argumentação quando enfatiza que instala-se o conflito entre a racionalização e a subjetivação. A racionalização que  corresponde a interesses e ideologias das elites dirigentes, despotismo esclarecido, defesa de liberdade pessoal sempre correspondentes a interesses e orientações de grupos ou indivíduos dominados. E a subjetivação que vem conflituar as monarquias absolutas e o individualismo burguês  nos séculos XVIII e XIX, assim como, os outros métodos de racionalização empresariais e a defesa da autonomia individual e coletiva dos trabalhadores, e recentemente a defesa da personalidade individual face a indústrias culturais tecnologicamente modernizadas como a assistência médica, a educação ou os meios de comunicação de massa
Assim sendo, a modernidade pode ser avaliada pela capacidade de compreender diferentes orientações universalistas, assim como os particularismos dos povos e perceber a verdade e autenticidade nas palavras e comportamento dos outros, como diz Habermas de maneira tão convincente.
Encerra Touraine, dizendo que a identificação de racionalização, realização e individualismo perdeu sua auto-confiança e que o progresso não é mais identificado como crescimento econômico e liberdade pessoal. Devemos, pois, considerar como mais modernos os sistemas sociais que reconhecem melhor as relações complementares e conflitantes entre racionalização e subjetivação, ou seja, considerar como modernas todas as formas de combinação entre eficiência econômica e direitos humanos, entre valores universalistas e experiências específicas e tradições culturais, a fim de evitar a perigosa ruptura entre elites hegemônicas, políticas, econômicas, e grupos dominados em busca de identidade.

CARAZINHO RECEBE A EXPOSIÇÃO ''AVE FLOR''

Carazinho recebe em maio exposição que reúne botânica, fotografia e poesia
Mostra “Ave, Flor” será aberta à comunidade no dia 03 de maio.

A mostra “Ave, Flor”, que reproduz fotografias das imagens botânicas de Anelise Scherer, realizadas pelo fotógrafo Pierre Yves Refalo, chega a Carazinho. Numa promoção do Arte Sesc – Cultura por toda parte, a exposição está aberta ao público de 03 a 31 de maio, no Museu Olívio Otto (Av. Flores da Cunha - 1246),  das 8:30 as 11:30 e 14:00 as 17:00 Hs.  No dia de lançamento (03/05) e em todas as quartas-feiras a entrada é franca.
Baseada no livro de poesia “Ave, Flor” de Cleonice Bourscheid, as imagens constituem um harmonioso projeto que se compõe da obra editada e impressa com requintes de publicação de arte. Mais informações podem ser obtidas no Sesc Carazinho, através dos telefones (54) 3331-2451 e 3331-2361.
Sobre o Sesc - No Rio Grande do Sul, o Sesc está presente em mais de 450 municípios com atividades sistemáticas em áreas como a saúde, esporte, lazer, cultura, cidadania, turismo e educação.  Desta forma, o Sesc/RS desempenha o papel social assim como o Senac/RS o da qualificação profissional do Sistema Fecomércio-RS que atua em âmbito econômico, político e social pela constante qualificação e crescimento do setor terciário gaúcho. Mais informações sobre a entidade pelo www.sesc-rs.com.br.
 






UM POUCO DE POESIA ''CÂNTICO NEGRO''



José Régio

"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!

QUE RAIO DE MULHERES SOMOS NÓS??


Me perguntaram qual o sentido do nome desta coluna -  FATO  CULTURAL'' tendo a palavra ''artefato'' separada. Respondendo aos leitores que estranharam essa forma de escrita, digo que esta coluna  tem como proposta  não falar ou divulgar fatos específicos da área cultural ( até porque, isso este jornal faz com propriedade),  nem de fazer algum tipo de explanação teórica  sobre história, arqueologia  ou áreas  afins, mas sim entender que ''artefato''  entre tantas definições pode definido como  obra ou trabalho produzido pelo homem em qualquer tempo. E neste espaço queremos falar  dos artefatos que são produzidos hoje, que não são  somente objetos, mas podem ser  filmes, programas de televisão, músicas, documentos, internet, etc... e tecer algumas relações entre eles e nossa vida cotidiana, na modesta intenção de que o leitor possa ver de modo diferente aquilo  que esta acostumado a ver, lidar, pensar cotidianamente. E escrita separadamente, além de provocar justamente a curiosidade, justifica-se pela ideia de amplitude das possibilidades de pensar sobre as coisas do nosso dia a dia.
            Jornal - este é o artefato que analisaremos hoje para tentar provocar no leitor(a) um estranhamento daquilo que já estamos acostumados a ''comemorar'' todo dia 8 de março: dia da mulher! Mais precisamente falo o jornal Zero Hora do dia 08/03/2012. Por entre as páginas de todo o jornal vemos propagandas de produtos farmacêuticos, carros,  roupas, cosméticos, moda íntima, móveis e decorações... todas ilustradas com belas mulheres jovens de cabelos loiros ou morenos e pele branca, corpos esculpidos, peles perfeitas, vestidas com roupas da última tendência da moda, num cenário de muita cor rosa, de muitas rosas e pérolas . Todos esses produtos nos mostrando por essas mulheres nos oferecem (vendem) a oportunidade de sermos belas, charmosas, encantadoras, sedutoras, independentes.... entre tantos outros atributos exigíveis pela sociedade de uma mulher do século XXI.
            O interessante é que no segundo caderno desse mesmo jornal, desse mesmo dia o título da reportagem é: ''8 mulheres que admiramos'' .  Nela cineastas, escritos, artistas, músicos, psicanalistas, compositores, professores escolheram: Fernanda Montenegro (atriz) Jeanne Moreau ( atriz), Joni Mitchel (cantora canadense), Regina Silveira ( artista plástica), Carlota Albuquerque (coreografa), J.K. Rowling (autora inglesa da série Harry Potter), Rita Lee ( cantora)  e Barabara Heliodora ( professora, tradutora e historiadora, ligada ao teatro), como  os modelos de mulher que mais admiram. Muito bem, analisando a imagens dessas mulheres, a considerar o fato de serem famosas por seu trabalho e estarem elegantemente vestidas, o fato é que todas, nesse caso, são mulheres maduras, que trazem na face, nos cabelos, na pele, nos gestos (captados pela câmera fotográfica) traços  e marcas do tempo. Tempo  que cada uma dentro das suas  escolhas profissionais e pessoais que fizeram nada parecem com aquelas mulheres que com faces e belos corpos, tentam dizer através da sua imagem quem devemos ser como mulheres.  Fica a pergunta: contradição? Ou acumulação de todos os jeitos de ser? Ou ainda, qual dessas mulheres buscamos ser? Ou seja, que raio de mulher sou eu ou é você? Queremos ou necessitamos ser todas elas juntas? Sermos belas a todo custo (plásticas, tratamentos estéticos, maquiagem...), elegantes, requintadas, educadas,  bem sucedidas profissionalmente, joviais, sensíveis, fortes, mães, profissionais, amantes, esposas, namoradas, sozinhas (porque não?)?
            Fico pensando que qualquer uma dessas mulheres citadas, devem como nós acordar despenteadas, sem maquiagem, ter quilinhos a mais, ter o dia que não deu para fazer a unha,  ter projetos profissionais ou pessoais que não deram certo, entre tantas coisas  do gênero. Mas também ouso pensar também temos um pouco de cada uma dessas mulheres. Sem extremos ou culpas (pelo menos deveria ser assim), estamos aí, no mundo de tantos modelos, de tantas imagens, de tantas exigências buscando saber quem somos e sabendo disso buscando espaços, principalmente para viver melhor.
            Para reflexão fica a frase publicada no editorial desse mesmo jornal (p. 14): '' causa feminina acumula ganhos, ainda que num ritmo lento, mas, enquanto um dia especificamente dedicado à mulher continuar coma importância de hoje, será sinal que nem todos os avanços possíveis foram assegurados''

Nanci da Cruz Mafalda – Pedagoga e analista cultural
Coluna publicada no Jornal GAD Notícias – Carazinho – Tiragem Inicial 10mil exemplares

A MOCHILA DE RODINHAS E A EDUCAÇÃO


A MOCHILA DE RODINHAS E A EDUCAÇÃO

Férias terminam. Ano começa. É perceptível o aumento do movimento de pedestres e automóveis na cidade. Realmente essa movimentação não tem mesmo como passar despercebida, até mesmo em virtude dos inúmeros acidentes trágicos que vem acontecendo nos últimos dias em carazinho.. Observação que eu não poderia deixar de fazer, apesar de que minha intensão aqui, hoje seja falar de educação.
Pois bem, se olharmos mais atentamente a essa movimentação do início das manhãs e tardes e ao final desses turnos, as ruas se enchem de pequenas e grandes cidadãos que a quase três meses estávamos costumávamos a não ver: os alunos, indo ou vindo da escola.  Se aguçarmos mais ainda o olhar para esses sujeitos é possível observarmos detalhes que nos passam despercebidos, mas que podem nos dizer muito, principalmente a nós pais e educadores. Junto ao movimento, ao alarido vemos, desde as crianças mais pequenas até os jovens, o arsenal que estes carregam para essa tarefa de ir a escola: mochilas coloridas por várias temáticas. Para as meninas a Barbie, a Polly, a Jolie, a Hello Kitty, a Mônica e a Magali, a Betty Boop, a Capricho ....Para os meninos backyardigans, Ben 10, Transformers, Homem Aranha, Batmann... O  interessante que se abríssemos essas mochilas lá estariam todos esses personagens, e os aqui não citados, ilustrando e colorindo os materiais imprescindíveis para volta a escola, como cadernos , réguas, lápis, borrachas, canetas coloridas (inclusive com cheirinho de morango e outros mais)......num movimento talvez de tornar mais atrativo o ato de ir a escola e de levar consigo o mundo que cada criança ou adolescente vive. Ah! Não esqueçamos dos celulares, dos ipods e outros objetos altamente tecnológicos, capazes de ligá-los continuamente com  o mundo fora dos muros da escola.
Para carregar TUDO isso sem prejuízo à saúde a solução mais adequada e criativa foi o uso das rodinhas: das rodinhas das mochilas que devemos nos desviar se passarmos  pela calçada no momento da chegada ou saída de uma escola. Mas afinal o que tem haver tudo isso com educação, se são  somente detalhes???
Eu diria como pedagoga, que se pensarmos um pouco tem muito haver com a educação e com a  dita ‘’crise’’ que a escola vive hoje. Pensemos juntos: não há nada que represente melhor o mundo atual, dito, pós-moderno, que uma mochila de rodinhas recheada dos materiais acima citados.  As marcas, os temas que ilustram esses materiais são a expressão da nossa sociedade que é de consumo. As rodinhas  expressam outra face, a da mobilidade, ou seja, se estendermos essa perspectiva, significa dizer que hoje podemos estar aqui, amanhã ali, vivendo e trabalhando. A relação que quero enfatizar é a de que entram pelas portas das escolas, alunos pós-modernos, e nossas escolas, invariavelmente são ainda de outro tempo, dito moderno, nisso a maioria ou a totalidades dos professores concordam. Então, a questão que fica para se pensar, sobre a educação e a escola é: como educar frente a esse abismo???  Sugestões são muito bem aceitas pelo meu contato de email!
Nanci da Cruz Mafalda – Pedagoga e analista cultural
Coluna publicada no Jornal GAD Notícias – Carazinho – Tiragem Inicial 10mil exemplares


OS MONUMENTOS E A CIDADE I


OS MONUMENTOS E A CIDADE I

Vendo ser revitalizado o monumento  ‘’O Bombeador’’ um dos símbolos do passado histórico da cidade  localizado na Praça das Bandeiras em frente a Estação Rodoviária, me ocorreu  a pergunta: por que ele  é tão importante? Bom,  embora a   resposta  pareça  óbvia e já dada anteriormente nessa frase ,  convido os leitores a pensarem além do fato desse artefato cultural ser  importante porque simboliza uma trajetória histórica do surgimento de uma comunidade, o que já não é  pouco.   E pensando no monumento ‘’ O Bombeador’’  pensemos sobre os diversos monumentos espalhados por nossa cidade, como os existentes na Praça Albino Hilebrandt, nos acessos á cidade e outros pontos mais. E podemos nos perguntar então, para que servem, ou qual o sentido de construirmos tantos monumentos?
            Um bom começo para pensarmos sobre isso é buscar no bom e velho dicionário o que significa a palavra monumento. Segundo o dicionário Houaiss (2001), esse termo data do século XIII e provém do latim “monuméntum, moniméntum e moliméntum” – que significa  trazer  à memória, lembrança e penhor de amor, o que faz lembrar um morto, túmulo, estátua’.
            Essa origem nos remete a compreender  que esse termo está vinculado  a um propósito eminentemente afetivo.  Esse conceito, aliás, é o que faz com que os monumentos sejam compreendidos  por patrimônio urbano.
Em um sentido mais antigo e dito talvez verdadeiramente original, é possível entender um monumento como   uma obra criada pela mão do homem e edificada com o propósito preciso de conservar sempre presente e vivo na consciência das gerações futuras a lembrança de uma ação ou do destino construído por um lugar, uma pessoa, ou as duas coisas juntas. No entanto, Alois Riegl (1984)  historiador de arte,  austríaco, trás uma concepção que julgo, muito interessante e atual de monumento quando afirma:  “Não é a destinação original que confere a essas obras a significação de monumentos; somos nós, sujeitos modernos, que as atribuímos a eles``. Ou seja, sendo intencional  ou não, os monumentos  têm um valor de  rememoração, de tocar a memória coletiva , pela emoção, fazendo disso uma memória viva.
Seguindo o pensamento de Riegl, não apenas o monumento  trabalha e  mobiliza a memória pela mediação da afetividade, de forma que lembre o passado fazendo-o vibrar como se fosse presente,  mas esse passado invocado, convocado, de certa forma encantado, não é um passado qualquer. Ele é localizado e selecionado para fins vitais, na medida em que pode, de forma direta, contribuir para manter e preservar a identidade de uma comunidade étnica ou religiosa, nacional, tribal ou familiar.
Isso pode ser facilitado porque diferentemente dos museus que ‘’capturam’’ os objetos entre quatro paredes, os monumentos são abertos à dinâmica urbana, facilitando que a memória interaja e seja revitalizada graças a movimentação da própria cidade.
Esses, portanto podem ser alguns dos sentidos que explica ser o monumento ‘’O Bombeador’’ símbolo de Carazinho, pela história por ele representada, e de termos diversas outras manifestações de memória edificadas pela cidade, com as quais devíamos interagir e preservar.
Nanci da Cruz Mafalda – Pedagoga e analista cultural
Coluna publicada no Jornal GAD Notícias – Carazinho – Tiragem Inicial 10mil exemplares