Vendo ser revitalizado o monumento ‘’O Bombeador’’ um dos símbolos do passado
histórico da cidade localizado na Praça
das Bandeiras em frente a Estação Rodoviária, me ocorreu a pergunta: por que ele é tão importante? Bom, embora a
resposta pareça óbvia e já dada anteriormente nessa frase
, convido os leitores a pensarem além do
fato desse artefato cultural ser importante porque simboliza uma trajetória
histórica do surgimento de uma comunidade, o que já não é pouco. E pensando no monumento ‘’ O Bombeador’’ pensemos sobre os diversos monumentos
espalhados por nossa cidade, como os existentes na Praça Albino Hilebrandt, nos
acessos á cidade e outros pontos mais. E podemos nos perguntar então, para que
servem, ou qual o sentido de construirmos tantos monumentos?
Um bom começo para pensarmos sobre
isso é buscar no bom e velho dicionário o que significa a palavra monumento. Segundo o dicionário Houaiss (2001), esse termo data do século
XIII e provém do latim “monuméntum,
moniméntum e moliméntum” – que significa
trazer à memória, lembrança e
penhor de amor, o que faz lembrar um morto, túmulo, estátua’.
Essa origem nos remete a
compreender que esse termo está vinculado a um propósito eminentemente afetivo. Esse conceito, aliás, é o que faz com que os
monumentos sejam compreendidos por
patrimônio urbano.
Em um sentido mais antigo e
dito talvez verdadeiramente original, é possível entender um monumento
como uma obra criada pela mão do homem
e edificada com o propósito preciso de conservar sempre presente e vivo na
consciência das gerações futuras a lembrança de uma ação ou do destino
construído por um lugar, uma pessoa, ou as duas coisas juntas. No entanto, Alois
Riegl (1984) historiador de arte, austríaco, trás uma concepção que julgo, muito interessante e atual de
monumento quando afirma: “Não é a destinação original que confere a
essas obras a significação de monumentos; somos nós, sujeitos modernos, que as
atribuímos a eles``. Ou seja, sendo intencional
ou não, os monumentos têm um
valor de rememoração, de tocar a memória
coletiva , pela emoção, fazendo disso uma memória viva.
Seguindo o pensamento de Riegl, não apenas o monumento trabalha e
mobiliza a memória pela mediação da afetividade, de forma que lembre o
passado fazendo-o vibrar como se fosse presente, mas esse passado invocado, convocado, de
certa forma encantado, não é um passado qualquer. Ele é localizado e
selecionado para fins vitais, na medida em que pode, de forma direta,
contribuir para manter e preservar a identidade de uma comunidade étnica ou
religiosa, nacional, tribal ou familiar.
Isso pode ser facilitado porque
diferentemente dos museus que ‘’capturam’’ os objetos entre quatro paredes, os
monumentos são abertos à dinâmica urbana, facilitando que a memória interaja e
seja revitalizada graças a movimentação da própria cidade.
Esses, portanto podem ser alguns dos sentidos que explica ser o
monumento ‘’O Bombeador’’ símbolo de Carazinho, pela história por ele
representada, e de termos diversas outras manifestações de memória edificadas
pela cidade, com as quais devíamos interagir e preservar.
Nanci da Cruz Mafalda – Pedagoga e analista
cultural
Coluna publicada no Jornal GAD Notícias –
Carazinho – Tiragem Inicial 10mil exemplares
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