domingo, 6 de maio de 2012

UMA ‘’CULTURA (IM)PRÓPRIA DE NÓS EDUCADORES’’ – IV SEMINÁRIO NACIONAL DE EDUCAÇÃO -


Nos dias 25, 26, 27 de abril passado tive a oportunidade de participar em três momentos distintos (como ouvinte, como oficineira e apresentando um artigo e pôster) do IV Seminário Nacional de Educação promovido pela Secretária Municipal de Educação e Cultura de Carazinho, que tinha como tema proposto para reflexão: ‘’ Tecnologias, Humanismo,  e Cooperação: as novas faces da Avaliação’’.
Tema sem dúvida pertinente ao momento que pelo qual passa e transpassa as discussões a respeito da educação no país ’, e são tantos mais os temas pertinentes às discussões sobre educação nos dias atuais. Importantes falas foram feitas, importantes trabalhos foram apresentados neste seminário, mas o que aqui quero me referir não é diretamente ao tema, nem aos palestrantes ou oficineiros que por passaram, mas o que esses sujeitos podiam ver do lugar de onde falavam: NÓS EDUCADORES, que lá estávamos (ou não – e esse ‘’não’’ entendido como uma opção por realmente não estar presente, como um ‘’não’’  que transparece na forma de reagir à um momento em somos ‘’convocados’’ a parar para repensar sobre a nossa prática pedagógica e aí sim temos a opção de ali estar comprometidamente ou  apenas de corpo presente sem generalizar é claro,   ).
Sei como professora pertencente ao um sistema de ensino que temos uma tendência natural a  reagir a tudo que nós é imposto por decreto (mas chamo atenção para o fato que também temos consciência de que nos propomos a fazer parte desse sistema. Estudamos, fizemos concurso...) e isso, é claro não acontece somente no campo da educação.
Michael  Fullan (especialista em gestão da educação), formulou o princípio básico de ‘’é impossível obrigar-se a fazer aquilo que realmente importa’’. E colocando-me no lugar de quem nos olha ( no caso os palestrantes) e observando as avaliações de corredores, do colega sentado ao lado ou a frente, nos corredores  pergunto-me: sendo EDUCADORES qual a postura que apresentamos nesses momentos? E qual postura como EDUCADORES nas nossas escolas ou outros ambientes pertencentes à mesma instância educativa nós temos? Sei que em oportunidades de discussão como esse têm momentos mais proveitosos outros menos, mas todos são passíveis de reflexão, creio ser esse o propósito, afinal. E aí reside uma questão intrigante, senão lamentável que se torna perceptível, pela insistência em posturas questionáveis que estão ficando tão arraigadas a imagem do EDUCADOR, que é uma cultura de reflexão e crítica de antemão, senão posteriormente baseados nos mesmos pressupostos, e o detalhe importante aqui é que são os mesmos pressupostos de muitos outros momentos iguais ou parecidos com esse. Então pergunto como fazer uma educação melhor em NOVOS tempos? Como sermos valorizados como profissionais de um NOVO tempo?  Se nos fechamos ao novo, se nos fechamos a possibilidade de ver no ‘’nem tão bom’’ ou no ‘’ruim’’ uma NOVA maneira própria de pensar? Será que somos capazes de RECONHECER e VER o bom? Que nos falta para quebrar essa CULTURA (im)própria que incide na identidade de nós EDUCADORES? Como superar  de modelos mentais subjetivos, as vezes, tão enraizados na nossa identidade de EDUCADORES? E como desmistificar  a imagem que infelizmente temos deixado transparecer diante da sociedade no sentido de quem somos, o que parecermos ser e o que devemos ser quando temos um papel social fundamental?
Para deixar um viés possível de pensarmos sobre isso, e a temática do seminário é rica para isso (Tecnologias, Humanismo, e Cooperação), cito (Cornelis, 1998), quando ele afirma “lidar com questões e situações novas com base em velhas ideias vai, com certeza produzir verdadeiras catástrofes em termos de aprendizagem”.
 Quem sabe devíamos não só olhar para quem nos fala, mas não seria  interessante olharmos para nos mesmos enquanto EDUCADORES.
Nanci da Cruz Mafalda – Pedagoga e Analista Cultural



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