Nos dias 25, 26, 27 de abril passado tive a
oportunidade de participar em três momentos distintos (como ouvinte, como
oficineira e apresentando um artigo e pôster) do IV Seminário Nacional de
Educação promovido pela Secretária Municipal de Educação e Cultura de Carazinho,
que tinha como tema proposto para reflexão: ‘’ Tecnologias, Humanismo, e Cooperação: as novas faces da Avaliação’’.
Tema sem dúvida pertinente ao momento que
pelo qual passa e transpassa as discussões a respeito da educação no país ’, e
são tantos mais os temas pertinentes às discussões sobre educação nos dias
atuais. Importantes falas foram feitas, importantes trabalhos foram
apresentados neste seminário, mas o que aqui quero me referir não é diretamente
ao tema, nem aos palestrantes ou oficineiros que por passaram, mas o que esses
sujeitos podiam ver do lugar de onde falavam: NÓS EDUCADORES, que lá estávamos
(ou não – e esse ‘’não’’ entendido como uma opção por realmente não estar
presente, como um ‘’não’’ que
transparece na forma de reagir à um momento em somos ‘’convocados’’ a parar
para repensar sobre a nossa prática pedagógica e aí sim temos a opção de ali estar
comprometidamente ou apenas de corpo
presente sem generalizar é claro, ).
Sei como professora pertencente ao um sistema
de ensino que temos uma tendência natural a reagir a tudo que nós é imposto por decreto
(mas chamo atenção para o fato que também temos consciência de que nos propomos
a fazer parte desse sistema. Estudamos, fizemos concurso...) e isso, é claro
não acontece somente no campo da educação.
Michael
Fullan (especialista em gestão
da educação), formulou
o princípio básico de ‘’é impossível
obrigar-se a fazer aquilo que realmente importa’’. E colocando-me no lugar
de quem nos olha ( no caso os palestrantes) e observando as avaliações de
corredores, do colega sentado ao lado ou a frente, nos corredores pergunto-me: sendo EDUCADORES qual a postura que
apresentamos nesses momentos? E qual postura como EDUCADORES nas nossas escolas
ou outros ambientes pertencentes à mesma instância educativa nós temos? Sei que
em oportunidades de discussão como esse têm momentos mais proveitosos outros
menos, mas todos são passíveis de reflexão, creio ser esse o propósito, afinal.
E aí reside uma questão intrigante, senão lamentável que se torna perceptível,
pela insistência em posturas questionáveis que estão ficando tão arraigadas a
imagem do EDUCADOR, que é uma cultura de reflexão e crítica de antemão, senão
posteriormente baseados nos mesmos pressupostos, e o detalhe importante aqui é
que são os mesmos pressupostos de muitos outros momentos iguais ou parecidos
com esse. Então pergunto como fazer uma educação melhor em NOVOS tempos? Como
sermos valorizados como profissionais de um NOVO tempo? Se nos fechamos ao novo, se nos fechamos a
possibilidade de ver no ‘’nem tão bom’’ ou no ‘’ruim’’ uma NOVA maneira própria
de pensar? Será que somos capazes de RECONHECER e VER o bom? Que nos falta para
quebrar essa CULTURA (im)própria que incide na identidade de nós EDUCADORES?
Como superar de modelos mentais
subjetivos, as vezes, tão enraizados na nossa identidade de EDUCADORES? E como
desmistificar a imagem que infelizmente
temos deixado transparecer diante da sociedade no sentido de quem somos, o que
parecermos ser e o que devemos ser quando temos um papel social fundamental?
Para deixar um viés possível de pensarmos sobre
isso, e a temática do seminário é rica para isso (Tecnologias, Humanismo, e
Cooperação), cito (Cornelis, 1998),
quando ele afirma “lidar com
questões e situações novas com base em velhas ideias vai, com certeza produzir
verdadeiras catástrofes em termos de aprendizagem”.
Quem sabe devíamos não só olhar para quem nos
fala, mas não seria interessante
olharmos para nos mesmos enquanto EDUCADORES.
Nanci
da Cruz Mafalda – Pedagoga e Analista Cultural
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