quarta-feira, 2 de novembro de 2011

OS MONUMENTOS E A CIDADE I

OS MONUMENTOS E A CIDADE I

Vendo ser revitalizado o monumento  ‘’O Bombeador’’ um dos símbolos do passado histórico da cidade  localizado na Praça das Bandeiras em frente a Estação Rodoviária, me ocorreu  a pergunta: por que ele  é tão importante? Bom,  embora a   resposta  pareça  óbvia e já dada anteriormente nessa frase ,  convido os leitores a pensarem além do fato desse artefato cultural ser  importante porque simboliza uma trajetória histórica do surgimento de uma comunidade, o que já não é  pouco.   E pensando no monumento ‘’ O Bombeador’’  pensemos sobre os diversos monumentos espalhados por nossa cidade, como os existentes na Praça Albino Hilebrandt, nos acessos á cidade e outros pontos mais. E podemos nos perguntar então, para que servem, ou qual o sentido de construirmos tantos monumentos?
            Um bom começo para pensarmos sobre isso é buscar no bom e velho dicionário o que significa a palavra monumento. Segundo o dicionário Houaiss (2001), esse termo data do século XIII e provém do latim “monuméntum, moniméntum e moliméntum” – que significa  trazer  à memória, lembrança e penhor de amor, o que faz lembrar um morto, túmulo, estátua’.
            Essa origem nos remete a compreender  que esse termo está vinculado  a um propósito eminentemente afetivo.  Esse conceito, aliás, é o que faz com que os monumentos sejam compreendidos  por patrimônio urbano.
Em um sentido mais antigo e dito talvez verdadeiramente original, é possível entender um monumento como   uma obra criada pela mão do homem e edificada com o propósito preciso de conservar sempre presente e vivo na consciência das gerações futuras a lembrança de uma ação ou do destino construído por um lugar, uma pessoa, ou as duas coisas juntas. No entanto, Alois Riegl (1984)  historiador de arte,  austríaco, trás uma concepção que julgo, muito interessante e atual de monumento quando afirma:  “Não é a destinação original que confere a essas obras a significação de monumentos; somos nós, sujeitos modernos, que as atribuímos a eles``. Ou seja, sendo intencional  ou não, os monumentos  têm um valor de  rememoração, de tocar a memória coletiva , pela emoção, fazendo disso uma memória viva.
Seguindo o pensamento de Riegl, não apenas o monumento  trabalha e  mobiliza a memória pela mediação da afetividade, de forma que lembre o passado fazendo-o vibrar como se fosse presente,  mas esse passado invocado, convocado, de certa forma encantado, não é um passado qualquer. Ele é localizado e selecionado para fins vitais, na medida em que pode, de forma direta, contribuir para manter e preservar a identidade de uma comunidade étnica ou religiosa, nacional, tribal ou familiar.
Isso pode ser facilitado porque diferentemente dos museus que ‘’capturam’’ os objetos entre quatro paredes, os monumentos são abertos à dinâmica urbana, facilitando que a memória interaja e seja revitalizada graças a movimentação da própria cidade.
Esses, portanto podem ser alguns dos sentidos que explica ser o monumento ‘’O Bombeador’’ símbolo de Carazinho, pela história por ele representada, e de termos diversas outras manifestações de memória edificadas pela cidade, com as quais devíamos interagir e preservar.

Nanci da Cruz Mafalda – Pedagoga e analista cultural
Coluna publicada no GAD Jornal - Carazinho - RS
 Tiragem Inicia l10 mil exemplares de dezesseis páginas por mês (colorido)
Email:gadjornal@hotmail.com

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